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As crianças querem sempre saber como as histórias acabam e por isso talvez não gostem tanto de poemas.
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Vem de longe a flecha, você diz.
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E arde no coração da luz, eu digo.
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Como uma criança perdida começa a contar uma história?
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Como uma criança começa a contar uma história?
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Começa agora a história das crianças perdidas.
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O desaparecimento é real. Você está com febre.
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Abrimos um mapa em cima da mesa. Você não está neste mapa.
Abrimos outro.
Agora o mapa do país que estamos. Não te encontro novamente.
Nem a mim nem a você.
Tento mapas de diferentes cidades. Como quem procura uma chave.
Não estamos no mapa, M.
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Este é um chamado para salvar as crianças perdidas, M. E apesar de termos 32 anos de diferença,
somos as duas crianças perdidas. Mas é como se eu tivesse voltado.
Eu voltei aqui pra te contar que consigo salvar nós as duas.

Gabriela do Amaral (she/her) is Brazilian, poet, writer, designer, and researcher. She holds a Master’s degree in Literary, Cultural, and Interarts Studies at the University of Porto, Portugal, where she has lived since 2017. She is the author of several books, including Língua-mãe, published in 2021. She writes about language, exile, and also facilitates online workshops about writing, reading, and feminist production. As a researcher, she is interested in collaborations between science, art, community and ecology, in the relationships of life and death and the possibility of poetic creations in a degraded world. She believes that creating new worlds can be used as a tool for more active reflection on the part of society. She is also an amateur of tap dancing and astrology.
